segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Festivais: Canções e protestos


Além de impulsionar carreiras de grandes artistas como Elis Regina, Chico Buarque e Caetano Veloso, dentre outros, os festivais propiciaram a divulgação de mensagens de cunho sócio-político, contribuindo para o surgimento de uma nova postura na produção cultural brasileira.Numa época em que o país apresentava um panorama marcado por restrições à liberdade de expressão (quando era crime criticar ou fazer qualquer comentário oposto à ideologia governamental), alguns artistas passaram a mobilizar o grande público, por meio do talento, criatividade e uma série de canções repletas de protestos e ideais. Seja na letra, no ritmo escolhido ou na interpretação, as músicas traziam algum aspecto de crítica social e muitas metáforas, numa linguagem simbólica que era muito clara aos ouvidos de quem vivia todo aquele drama.
Todas essas críticas e provocações acabaram por desencadear sérios conflitos com o governo ditatorial. As tensões se tornaram ainda maiores após o III Festival Internacional da Canção, promovido pela Rede Globo em 1968, onde tiveram destaque músicas “anti- ditadura” como “É proibido proibir” de Caetano Veloso, “Questão de ordem” de Gilberto Gil e principalmente “Pra Não Dizer que Não Falei de Flores” de Geraldo Vandré, que transformou-se num hino de luta contra a repressão.
A vitória determinada pelos militares, da música “Sabiá” de Tom Jobim e Chico Buarque causou uma grande insatisfação entre o público, que extasiado, entoou uma grossa vaia quando o júri decretou o vencedor. O autor de “Pra Não Dizer que Não Falei das Flores” engoliu sua decepção e a do público, que se solidarizou com ele, e bradou: “A vida não se resume só a Festivais. Antônio Carlos Jobim e Chico Buarque de Hollanda merecem toda a nossa consideração.” Os protestos com temáticas revolucionárias acabaram por resultar no decreto do AI-5 e no exílio da maioria dos cantores da época.
A repressão foi se tornando cada vez maior e no ano de 1969, vários incêndios se espalharam pelos estúdios das emissoras do Rio e São Paulo, como também em seus teatros. Um exemplo disso é o caso do incêndio no Teatro Record – a emissora sofreu três incêndios em menos de um ano.
No entanto, é importante ressaltar que mesmo com toda a repressão os Festivais eram ainda um eficiente meio de divulgação de talentos e ideais. As pessoas assistiam, comentavam e opinavam, era o assunto do momento. As músicas se tornavam mais conhecidas por meio deles, uma vez que, naquela época, gravar um disco e poder distribuí-lo não era tão simples. O disco de Vandré, com a faixa “Pra Não Dizer que Não Falei das Flores” por exemplo, foi censurado, mas nãohavia estudante que não a conhecesse graças à gravação ao vivo no Festival. Aos poucos também, os Grandes Festivais da MPB, como ficaram conhecidos, foram constituindo-se como um marco na história contemporânea brasileira
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