
Mais especificamente em 1963, São Paulo, começa a esboçar-se o cenário ideal para o advento destes festivais. Com a chegada de artistas cariocas à capital paulista, somando-se ao surgimento de novos talentos locais (Walter Wanderley, Claudette Soares e César Camargo Mariano, entre outros), foi possível a realização do projeto “Tardes da Bossa Paulista”, idealizado por nomes como: Solano Ribeiro e os jornalistas, Moacir do Val e Franco Paulino. A intenção era promover encontros musicais entre amigos, com intuito de celebrar a boa música e revelar talentos.
Em pouco tempo, devido ao sucesso de público, os encontros foram transferidos para o teatro da Arena, passaram a se chamar “Noites de Bossa”. Depois disso, Solano Ribeiro, agora trabalhando na extinta TV ESCELSIOR, resolve transformar o evento em programa, nasce o “Noites da Bossa Paulista”. Mais a frente, graças ao patrocínio de Walter Guerreiro das “Lojas Eduardo”, o programa integra também músicos do Rio de Janeiro, seria necessário outra vez mudar o nome, sendo agora: Primavera Eduardo É Festival de Bossa Nova. Simultaneamente aos shows televisionados, crescia também o público dos espetáculos no Teatro Paramount, produzidos pelo radialista Walter Silva (destaque para “Dois na Bossa”, show interpretado por Elis Regina e Jair Rodrigues, garantindo três dias de casa lotada).
Toda essa efervescência musical parecia clamar e caminhar naturalmente para realização de um grande festival. Foi assim que, em 1965, inspirado no Festival de San Remo (Itália), acontece o I Festival de Música Popular Brasileira, realizado na TV Excelsior. Acompanhado a tendência, o festival foi um grande sucesso, tendo como vencedor, Edu Lobo cantando “Arrastão” (letra, Vinícius de Morais). Iniciava-se então, a era dos grandes festivais da canção, cada vez mais disputados e acompanhados pela população, vislumbrando novas possibilidades musicais com o advento da MPB. No ano seguinte, foi realizado ainda pela TV Excelsior, o II Festival de Música Popular Brasileira, que teve como vencedora a canção “Porta-Estandarte”, de Geraldo Vandré e Fernando Lona, nas vozes de Tuca e Airto Moreira.
O movimento continuava a crescer, tomando dimensões até então não alcançadas. E dois anos após o golpe militar, as canções já começavam a espreitar o cunho político, assumindo também o papel de contraposição em relação ao rock que aos poucos chegava ao Brasil.
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